sexta-feira, 5 de abril de 2013

Resenha: Caçadores de bruxas

Livro: Caçadores de bruxas
Série: Dragões de Éter
Autor: Raphael Draccon
Páginas: 256
Editora: Leya


Com diversas referências contemporâneas, que vão de séries como Final Fantasy a contos de fadas sombrios, passando por bandas de rock como Limp Bizkit e Nirvana, o autor constrói, com extrema habilidade, uma narrativa em que romances, guerras. intrigas, fantasias e sonhos juvenis se entrelaçam para construir o final poético desse fantástico quebra-cabeça. Essa obra, que é a estreia do roteirista Raphael Draccon na literatura, combina fantasia, história antiga e aventura na medida certa, de uma maneira revolucionária em relação aos demais livros do gênero.

Um mundo fantástico, belo, complexo e bem construído, repleto de personagens que você acha que conhece. Isso mesmo, você só acha que conhece, porque depois que você entrar em contato com eles em Nova Ether, a sua referência aos clássicos infantis sofrerá uma revolução. Não toque neste livro se você quiser continuar lembrando-se de Chapeuzinho Vermelho apenas como a menininha que foi levar doces para a vovozinha.

A visão graciosa, realista e completamente criativa de contos de fadas é apresentada nas páginas de Caçadores de Bruxas, em que os protagonistas das histórias da sua infância são amigos e vivem na mesma terra. Genial na mesma medida que é compreensível e revigorante. Cada ser que habita o enredo tem sua personalidade marcada e juntos desencadeiam uma história impossível de largar e prazerosa de se ouvir.

Eu escrevi certo: ouvir. O narrador conta a história e, em certos momentos, você tem certeza de que ele está sentado na sua frente conversando, gesticulando e explicando cada detalhe deste mundo encantado. O contato próximo entre o leitor e o autor transforma a narrativa em um deleite a parte.

Vale destacar que não é somente de contos de fadas que vive este reino, mas de incontáveis referências à música, à história e à literatura mundial, divertidas de se encontrar, que surpreendem a cada página virada. Quando você se dá conta, lá está Raphael Draccon novamente, mudando os seus antigos parâmetros sobre esse ou aquele assunto.


Seria injusto com o leitor detalhar melhor o enredo. Draccon é um contador de histórias infinitas vezes melhor do que eu. E é por isso que é um dos jovens escritores brasileiros de maior sucesso da atualidade, que viu seu livro de estreia ser esgotado, vendendo como os grandes. O êxito é merecido, o autor e seu mundo possuem todos os atributos para tornarem-se um clássico.

Com certeza, os três livros Dragões é Éter foram os melhores que eu li em 2012, e vou reler esse ano de novo, só pra sentir Draccon lendo pra mim outra vez.


Nenhum comentário:

Postar um comentário